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Paralimpíada ou Paraolimpíada

A autoridade máxima do esporte paralímpico deixa claro que é mesmo incorreto se referir à competição como ‘Paraolimpíada’

Nos últimos tempos, surgiu uma polêmica: a forma correta é “paralimpíada” ou “paraolimpíada“? A questão vai muito além do certo ou errado, graças aos consideráveis avanços linguísticos no Brasil e no mundo. Em outros termos, é questão de uso e respeito ao falante brasileiro.

Segundo os organizadores (International Paralympic Commities), a forma correta de se referir ao evento é ‘paralimpíada’, do inglês “Paralympics”, sem o “o”.

Por exemplo:

  • Mais de 100 recordes mundiais foram superados na Paralimpíada do Rio.
  • Paralimpíada chega a 1,9 milhão de ingressos vendidos.
  • Cerimônia de abertura Jogos Paralímpicos Rio 2016 foi sucesso de público.

Entenda melhor o motivo da polêmica

Até 2011, no Brasil, as competições eram chamadas oficialmente de “Paraolimpíada” ou “Jogos Paraolímpicos” e os participantes eram conhecidos como “atletas paraolímpicos”.

Naquele ano, após os Jogos Panamericanos de Guadalajara, no México, o CPI determinou que todos os comitês nacionais padronizassem o termo “Paralimpíada” e, por consequência, “Jogos Paralímpicos” e “atletas paralímpicos”.

O comitê brasileiro acatou a determinação e mudou a terminologia.

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Paralimpíada
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Obsessão, Obcessão ou Obceção

A forma correta de escrita da palavra é obsessão. As palavras obcessão e obceção estão erradas.

Sempre que quisermos referir uma ideia fixa, uma vontade irresistível, uma preocupação constante e excessiva, devemos utilizar o substantivo comum feminino obsessão.

A palavra obsessão tem sua origem na palavra em latim obsessio, devendo assim ser escrita com s e não com c. Todas as palavras da família de obsessão (palavras que partilham o mesmo radical) são escritas com s e nunca com c: obsessão, obsessivo, obsessor,…

Exemplos:
– Mude de assunto, já parece obsessão!
– A menina tem obsessão pelo menino que mora ao lado.
– Escrever é uma obsessão.

Significado de Obsessão

s.f.

Preocupação exagerada com alguma coisa; apego excessivo a uma mesma ideia; ideia fixa.

Compulsão; necessidade intensa para fazer algo ilógico ou insensato: a obsessão pelo dinheiro.Impertinência; ato de aborrecer alguém com solicitações insistentes.

[Psicologia] Neurose que se define pelos pensamentos, ou ações, repetitivos e compulsivos; neurose obsessivo-compulsiva.

Então por que a palavra “obcecado” é grafada com “c” e “obsessão”, com “s” após o “b”?

O sistema ortográfico em português é misto, ou seja, algumas palavras são grafadas de acordo com o critério fonético – a pronúncia -, enquanto outras são escritas com base na etimologia. Obsessão, obcecar e obcecado são exemplos de palavras que seguem o critério etimológico, pois obedecem à grafia latina, de onde provieram. Ocorre que obcecado e obsessão não têm a mesma origem, ou seja, não provêm da mesma raiz latina, diferentemente de obcecar e obcecado. Esse último termo provém do latim obcaecatus, particípio de obcaecare, que significa “cegar, tornar cego”. Já a palavra obsessão também vem do latim, mas de obsessione, cujo sentido original é “assédio, cerco, bloqueio”. Em síntese, obcecado e obsessão têm origens diversas, daí as grafias diferentes. Outras palavras da língua portuguesa costumam despertar esse mesmo tipo de dúvida, como acender (atear fogo) e ascender (subir). A primeira provém do latim accendere, e a segunda, do latim ascendere. As duas têm exatamente a mesma pronúncia, mas são escritas de modo diferente porque a raiz delas não é a mesma. A melhor maneira de ter certeza sobre a grafia correta de uma palavra, então, é a consulta a um bom dicionário, em que se encontra também a origem dela.

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Obsessão
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Mecher ou Mexer?

A dúvida de hoje é: devemos escrever mecher com “ch” ou mexer com “x”? Como escreve-se?

A forma correta de escrita da palavra é mexer. A palavra mecher está errada. O verbo mexer é frequentemente utilizado, possuindo vários significados. O erro na utilização da consoante x ou do dígrafo ch é comum porque a consoante x pode assumir o valor de ch quando aparece no princípio ou no meio da palavra, como no caso de mexer.

Existem algumas regras que definem quando deve ser utilizado x ou ch. No caso de mexer, a regra indica que devemos utilizar o x nas palavras após a sílaba inicial “me”: mexer, mexido, mexeriqueira, mexicano, mexedor, mexilhão…

O verbo mexer tem sua origem na palavra em latim miscere e se refere ao ato de revolver o conteúdo de algo; de pôr em movimento, tirando do lugar; de rebolar o corpo; de tocar com as mãos; de ter algo como ocupação; de fazer referência a algo; de provocar, paquerar ou brincar com uma pessoa; de provocar alterações; de entrar em ação; de se apressar e de causar tristeza ou transtorno.

Exemplos:

  • Não mexa nas minhas coisas! (Remexer)
  • A notícia do jornal mexeu com todos. (Alterar)
  • É preciso mexer bem a massa até ficar homogênea. (Misturar)
  • Ele se mexe no ritmo da música. (Movimentar)
  • Mexa-se! (Agir)
  • Os garotos mexem sempre com os piores jogadores. (Provocar)
  • No seu trabalho, ela mexe com computadores. (Lidar)

De acordo com a regra supracitada, o verbo mexer deve ser escrito com x, bem como todas as palavras cognatas de mexer e todas as formas conjugadas desse verbo.

Palavras da mesma família: mexer, mexedor, mexediço, mexedela, mexido, …
Verbo mexer – Pretérito perfeito do indicativo:
(Eu) mexi
(Tu) mexeste
(Ele) mexeu
(Nós) mexemos
(Vós) mexestes
(Eles) mexeram

Atenção!
A regência verbal do verbo mexer se faz com as preposições de, em e com. Além disso, pode ser um verbo pronominal: mexer-se.

Exemplos:

  • Os alunos mexeram-se do lugar assim que a campainha tocou.
  • O bebê mexe em tudo o que consegue alcançar.
  • A bailarina mexeu-se com muita graciosidade.

Normalmente, o x é utilizado:

  • Depois da sílaba inicial me-: mexer, mexido, mexeriqueira, mexicano, mexedor, mexilhão,…
  • Depois da sílaba inicial en-: enxergar, enxoval, enxame, enxada, enxuto,…
  • Depois de ditongos: caixa, baixo, peixe, feixe, frouxo, ameixa,…
  • Em palavras de origem indígena e africana: abacaxi, xavante, orixá, xará, …
  • Em palavras aportuguesadas do inglês: xampu, xerife,…

Existem, contudo, palavras que são exceções a essas regras, devendo ser escritas com ch, tal como: recauchutar, guache, caucho, mecha, encher, enchumaçar, encharcar, enchiqueirar, enchouriçar, enchova, enchapelar, preencher,…

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Mexer
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Companhia ou Compania?

Escreve-se companhia ou compania? Essa dúvida é corriqueira e está relacionada com a oralidade, pois alguns vocábulos nem sempre são pronunciados da maneira como são escritos.

A forma correta de escrita da palavra é companhia. Não existe “compania”, apenas a palavra companhia, e quando deixamos de pronunciar o -nh desse vocábulo, estamos cometendo um desvio de ortoépia. Devemos utilizar o substantivo comum feminino companhia sempre que quisermos referir o ato de acompanhar ou ser acompanhante de alguém, bem como a convivência entre pessoas. Pode significar também uma associação de pessoas, uma comitiva ou uma firma com vários sócios.

Exemplos:

  • Preciso de uma boa companhia para esta noite.
  • Esta companhia de dança é sensacional.
  • Gosto muito da companhia de meus pais.

 

Companhia é uma palavra formada a partir de derivação sufixal, ou seja, é acrescentado um sufixo a uma palavra já existente, alterando seu sentido: companha+ -ia. A palavra companha se refere a um grupo de pessoas que seguem juntas, que são companheiros. O sufixo nominal –ia, acrescentado à palavra companha, forma um substantivo a partir de um substantivo. Este prefixo transmite uma noção de coletivo.

Todas as palavras cognatas de companhia deverão também ser escritas com nh: companhia, companha, companheiro, acompanhar…

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companhia
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72h, 72hr ou 72hrs?

72h é a forma correta de escrita da abreviação de horas. Está errada a abreviação hrs ou suas variações comuns (hs – hr).

Sempre que quisermos abreviar a palavra hora ou horas, devemos utilizar apenas um h minúsculo. As formas 72H, 72hr, 72hs, 72s e/ou72hrs. estão erradas.

Exemplos:
Ontem ele chegou às 15h.
Iremos ao cinema na sessão das 22h.
São 18h, está na hora de irmos embora.

Abreviaturas utilizadas internacionalmente devem ser escritas no singular, em letra minúscula, sem ponto abreviativo.
Exemplo: h (hora), s (segundo), kg (quilograma), l (litro),…

Caso haja necessidade de indicar minutos e segundos, a abreviatura correta de minutos é min e de segundos é s.

Exemplos:
O atleta completou a prova às 5h14min55s.
A atividade começará às 13h30min.

Quando quisermos referir a duração de alguma atividade, devemos escrever a palavra horas por extenso: A formação demorou duas horas a começar.

Hora quebrada: 8h30min; 9h43min, etc. (sem dar espaços entre os elementos e sem usar ponto depois de “h” e “min”).

A grafia com dois pontos, como em 
08:00
09:00
10:05
13:20

é usada em áreas específicas, como em anotações de programação com horários em sequência, de passagens, competições, agendas, horários anunciados pela televisão, etc.

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horas
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Mal ou Mau?

As palavras mal e mau existem na língua portuguesa e estão corretas. Porém, os seus significados são diferentes e devem ser usadas em situações diferentes.

A forma mais fácil e eficaz de usarmos corretamente estas palavras é pela oposição, ou seja, utilizando seus antônimos e vendo qual está correto na frase. O adjetivo mau é o contrário de bom e o advérbio mal é o contrário de bem.

Mal pode aparecer como:
 Advérbio – Neste caso ele é invariável – A oficial de justiça foi mal recebida.
–  Substantivo – Varia em número – Há males que vêm para o bem.

Mau ocorre como:
–  Adjetivo – Varia em gênero e número – Não eram maus alunos, apenas tinham dificuldade em assimilar a matéria.
–  Palavra substantivada – Os bons sempre vencerão os maus.

Para compreendermos melhor, atente-se para estas frases:
a) Hoje eu estou passando muito mal. (Bem)
b) Sua tristeza é um mau sinal. (Bom)
c) O mercado de trabalho está repleto de maus funcionários. (Bons)
d) Hoje ela está de mau humor. (Bom)
e) Seu convite será mal aceito por todos. (Bem)

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Mal
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Conserto ou Concerto?

As palavras conserto e concerto existem na língua portuguesa e podem ser utilizadas, pois estão corretas em sua grafia, mas devem ser usadas em contextos diferenciados.

A palavra conserto é originada do latim “consertu” ou ainda por meio do verbo consertar o qual é proveniente da expressão latina “consertare” devendo desta maneira ser sempre escrita com a letra “s”.

O seu uso é indicado para indicar processos de reparação ou correção de determinado objeto ou até mesmo situação arrumando o que está inadequado sendo considerado um substantivo masculino.

Verbo consertar – Presente do indicativo:
(Eu) conserto
(Tu) consertas
(Ele) conserta
(Nós) consertamos
(Vós) consertais
(Eles) consertam

Exemplos – substantivo masculino:

  • O conserto da televisão ficou caríssimo!
  • Esta cadeira está precisando de um bom conserto.

Exemplo – verbo:

  • Eu conserto a televisão estragada no final do dia.

Já a palavra concerto, por sua vez tem origem na expressão italiana “concerto” ou ainda no verbo “concertar” que vem da palavra em latim “concertare” devendo, por este motivo, ser escrita sempre com “c”.

Também pode ser classificado como um substantivo masculino tendo como significado básico a referência a uma sessão musical indicando um sarau, recital ou ainda a existência de uma combinação entre diferentes partes.

Verbo concertar – Presente do indicativo:
(Eu) concerto
(Tu) concertas
(Ele) concerta
(Nós) concertamos
(Vós) concertais
(Eles) concertam

Exemplos – substantivo masculino:

  • Vamos todos ver um concerto de música clássica.
  • Os concertos da Madonna estão sempre lotados.

Exemplo – verbo:

  • Eu concerto com meu irmão todos pormenores.

As palavras conserto e concerto apresentam a mesma fonética, ou seja, são pronunciadas de forma igual, mas os seus significados e escritas são diferentes. A este tipo de palavras chamamos palavras homófonas. Na língua portuguesa, existem diversas palavras homófonas: conserto/concerto, cela/sela, sinto/cinto, cozer/coser, acento/assento…

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Conserto
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Passada, Atrasada ou Retrasada?

Semana retrasada

É comum ouvirmos essa expressão com sentido de “semana anterior à passada”. Trata-se de equívoco resultante do desconhecimento do real sentido das palavras.

A semana que acabou de terminar é a passada. A anterior a ela é a atrasada. A anterior à atrasada, essa, sim, é a semana retrasada.

Assim, temos:

  • última semana antes da atual – passada;
  • semana anterior à passada – atrasada;
  • semana anterior à atrasada – retrasada.

Outra controvérsia existente a propósito de semanas é a que gira em torno do dia em que elas principiam. Uns alegam que é a segunda-feira, outros garantem ser o domingo. Os que defendem esta posição argumentam que a segunda-feira, por ser “segunda”, é o segundo dia da semana. Logo, ela começaria no domingo.

Isso decorre de confusão com a etimologia dos nomes dos dias da semana, que têm relação com feiras que ocorriam em festejos religiosos do passado. Na verdade, a semana começa mesmo é na segunda. Prova disso é a expressão fim de semana. Que você entende por “fim de semana”? Se entender que é a reunião do sábado e do domingo, considerará que estes dias finalizam a semana. Se o domingo é o último dia semanal, ela começa de fato na segunda-feira.

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semana
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Bem-vindo, Bem Vindo ou Benvindo?

Essa é uma das grandes confusões da nova ortografia! A questão é que o acordo ortográfico possui um monte de cláusulas e várias exceções.

O bem-vindo é uma delas (que aliás se escreve exatamente assim: bem-vindo – com hífen). A palavra bem-vindo se refere a uma saudação de boas-vindas e indica que alguém é, foi ou será sempre bem recebido: Seja bem-vindo!

As novas regras para o hífen dizem que para os advérbios mal e bem só usaremos o hífen caso a palavra seguinte comece com uma vogal ou com a letra “h”. Um exemplo é “benfeito” (que agora se escreve assim).

“A atual 5.ª edição do Vocabulário Ortográfico grafa bem-vindo como a única forma correta de escrita da palavra.”

BENVINDO/BENVINDA

As formas “Benvindo/Benvinda” existem, mas devem ser grafadas com letra maiúscula, porque são nomes próprios.

– A Sra. Benvinda tem uma joalheria no centro da cidade.

– Antônio Benvindo é um dos atores mais prestigiados de Hollywood.

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Bem-vindo
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Porque, porquê, por que ou por quê?

Estas quatro palavras existem na língua portuguesa e estão corretas. Porém, seus significados são diferentes e devem ser usadas em situações diferentes. Neste artigo, abordaremos o caso dos termos: Porque, porquê, por que e por quê. Confira abaixo o significado de cada termo, qual a maneira correta de utilizá-los dentro de um contexto e exemplos de frases que utilizam o termo da maneira correta.

Devemos usar porque (junto e sem acento) quando se tratar de conjunção subordinativa causal ou explicativa, que pode ser substituída por: visto que, uma vez que e por causa de que, entre outras.

Exemplos:

  • Choro porque machuquei o pé.
  • Choro visto que machuquei o pé.
  • Ela não foi à escola porque estava chovendo.
  • Ela não foi à escola uma vez que estava chovendo.

Devemos usar porquê (junto e com acento) quando se tratar de um substantivo masculino, podendo ser substituído por: causa, motivo, razão. Aparece quase sempre junto de um artigo definido ou indefinido, podendo também aparecer junto de um pronome ou numeral.

Exemplos:

  • Todos riam muito e ninguém me dizia o porquê.
  • Todos riam muito e ninguém me dizia a razão.
  • Gostaria de saber os porquês dela ter sido mandada embora.
  • Gostaria de saber os motivos dela ter sido mandada embora.

Devemos usar por que (separado e sem acento) quando se tratar da preposição por seguida do pronome relativo ou interrogativo que. Enquanto pronome relativo, pode ser substituído por: por qual ou pelo qual. Enquanto pronome interrogativo, pode ser substituído por: por qual motivo ou por qual razão.

Exemplos:

  • Não achei o caminho por que passei.
  • Não achei o caminho pelo qual passei.
  • Por que você não foi dormir?
  • Por qual razão você não foi dormir?

Devemos usar por quê (separado e com acento) quando se tratar da preposição por seguida do pronome interrogativo quê, quando este for tônico e aparecer no final da frase, seguido de ponto final ou ponto de interrogação. Pode ser substituído por: por qual motivo ou por qual razão.

Exemplos:

  • Você não comeu? Por quê?
  • Você não comeu? Por qual motivo?
  • O menino foi embora e nem disse por quê.
  • O menino foi embora e nem disse por qual razão.
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Porque
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